Divulgação/ Ana Gimenes
Loalwa Braz
Loalwa Braz conquistou o mundo cantando lambada, no início dos
anos 90. Com os versos "Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar", a
artista, então líder da banda Kaoma, vendeu mais de 30 milhões de
discos e foi eleita pelo "Guinness Book" uma das 20 vozes mais ouvidas
do mundo.
Morando na França desde 1985, a cantora encerra a
turnê "A Volta Ao Mundo" pelo Brasil nesta sexta-feira, 30, no Bar do
Tom, no Leblon, Zona Sul carioca. Em conversa exclusiva com o TE CONTEI,
Loalwa falou sobre as diferenças entre o público brasileiro e europeu, a
volta da Lambada e o sucesso mundial. "Já dei autógrafo até em burca",
diz.
"Voltar ao Brasil está sendo maravilhoso. É um renascer",
afirma, em tom emocionado. "Por mais que você tenha oportunidade de dar
a volta ao mundo, não existe nada como o nosso país. O Brasil está e
sempre esteve muito forte em mim", completa a cantora, que mora há 25
anos nos arredores de Paris.
"Na época, era responsável pelo
coral 'Brésil em Fête', que fez shows pela França. Fui para lá
pensando em ficar um mês e estou até hoje (risos)", brinca. "Em 1989 fui
chamada para participar de um projeto que objetivava propagar a cultura
do Brasil. Queríamos mostrar a música de beira de praia, a dança dos
pescadores. Aí surgiu o Kaoma", relembra.
Da França para o
mundo, o Kaoma estourou um ano depois e divulgou a cultura brasileira em
mais de cem países. "Não tem lugar melhor para mostrar seu trabalho
mundialmente do que a França. E o prazer de representar nossa cultura lá
fora foi único", garante.
Para Loalwa, o grupo não marcou
apenas sua vida, mas várias gerações: "Hoje encontro jovens de 25 anos
que passaram a infância ouvindo Kaoma... pessoas de 50 que tinham 25 na
época e se divertiam na noite com a nossa música... gente de 60 anos que
dançou lambada com 40. São gerações completamente diferentes que foram
tocadas pelo movimento. A lambada deu força à dança de salão. Ninguém
dançava mais junto na época. O ritmo resgatou isso".
Sobre o
sucesso mundial, Loalwa encara o reconhecimento com naturalidade. "No
Brasil, é tranquilo, mas na Europa sou parada nas ruas até hoje. Mas a
abordagem dos fãs é sempre educada, carinhosa... sempre tiro fotos,
converso e dou autógrafos numa boa", diz. O pedido mais estranho de um
fã? "Já dei autógrafo em uma burca no Marrocos!", revela, aos risos.
Apesar da distância, ela nunca deixou de acompanhar as novidades
por aqui. "Ouço de tudo, todos os ritmos do meu país. A nossa música é
fascinante", opina. E quando o assunto são os ritmos populares, a
ex-vocalista do Kaoma diz acompanhar até a banda Calypso, do Pará. "A
vocalista (Joelma) é muito carismática. As roupas, as
cores... Lembro que quando o Kaoma começou, muita gente torceu o nariz.
Lambada era meio undergroud, não fazia parte de uma cultura de elite.
Aos poucos o mundo foi conhecendo aquela música de saia rodada, de beira
do mar... O Calypso traz essa cultura popular. Para conquistar as
massas é preciso talento, não marketing. E eles envolvem multidões",
analisa.
Ao falar sobre os shows pelo Brasil, a artista
volta a se emocionar: "Voltar é necessário. O ar do Brasil é diferente
de qualquer lugar no universo. Existem grandes diferenças entre o
público. No Brasil, canto no idioma que as pessoas entendem e
acompanham, já na Europa, o público não sabe a língua, mas 'sente' a
música. E ambas as sensações são únicas para o artista que está no
palco".
Por
Annie Lattari, do Te Contei |
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