MILENA HYGINO
Fenômeno mundial nos anos 90, a cantora carioca Loalwa Braz fez sucesso como vocalista
do grupo Kaoma, com as inesquecíveis músicas Chorando se foi, Dançando
lambada, Lambamor, entre outras. O talento resultou em cinco discos na
carreira, com mais de 30 milhões de unidades vendidas. Não à toa, foi
eleita pelo Guinness book como uma das 20 vozes mais ouvidas no mundo.
Dividindo-se entre a França, onde mora com o marido, e o sítio, no
Espírito Santo, esta carioca continua encantando, aos 56 anos. Depois de
10 shows na Europa, Loalwa começa a sua turnê A volta ao mundo, na
Cidade Maravilhosa, na próxima sexta-feira. L oalwa Braz. Show A volta
ao mundo. Bar do Tom. Leblon.
Às 22h. Tel.: 2274-4022. R$ 40 a R$
60.
A sua carreira musical começou com a lambada? Não, eu sempre fui cantora. Canto desde os 12 anos. A minha mãe era pianista clássica e o meu pai era músico de orquestra. Comecei a tocar piano aos 4 anos. Toda a minha família é ligada à arte, de alguma forma.
O que representa a lambada para você? A lambada é um suingue brasileiro, mas é a dança do mundo, porque mistura um pouquinho de cada coisa e tem várias influências, como salsa, merengue, rock. É a miscigenação da dança. Eu acho que é a força brasileira que vem de vários lugares. O brasileiro é mistura.
Como você vê a lambada hoje, em comparação
ao passado? A lambada nunca morreu. Talvez tenha esfriado um pouco. Mas
voltou com o zouk, que é a lambada contemporânea, com roupagem nova. Eu
vejo a lambada, em 90, como o bom produto que chegou na hora certa.
As
pessoas não dançavam mais juntas. A lambada simbolizou a união e foi
mais do que um fenômeno musical, fundando um comportamento social nas
pessoas. Isso é muito bom.
Você tem saudosismo do tempo áureo da lambada, no início da década de 90? Sim, é normal ter saudosismo. É uma saudade que sinto, mas sei que está tudo certo. Eu fiquei quatro anos e três meses sem conseguir ficar 48 horas seguidas em casa, por causa das turnês. Mas também vivi emoções muito fortes. Participei da queda do Muro de Berlim, vi o fim do apartheid na África do Sul. Eu acho importante o contato familiar, para renovar as forças para ir para a estrada. O sucesso tem seus prós e contras.
O Guinness Book inlcui
você entre as 20 vozes mais ouvidas no mundo.
Quando me disseram
isso, eu achava que era um pouco de exagero. Mas depois vi que não. A
lambada se espalhou muito rapidamente pelo mundo
Qual é a sua expectativa para a turnê de quatro shows, no Rio, depois de tanto tempo? Quero que dê tudo certo. Muita gente me conhece. Mas ninguém é obrigado a me conhecer totalmente. Quem for ao meu show vai entender.
Domingo, 11 de Abril de 2010
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